Raizeros

(Bruna Maria Lima Martins – Oceanógrafa)

Sou um pouco do mar. Pertenço a classe das MARias, nasci MARanhense. Desde pequena minha cabeça nunca conseguiu separar o homem da natureza por isso me permiti à liberdade em conhecer os oceanos, daí esbarrei na oceanografia na Universidade Federal do Pará (2007-2011).  Para a sociedade sou Oceanógrafa, estudo com muita paixão duas classes de animais que dependem muito da água para viver: os mamíferos aquáticos (baleias, golfinhos, botos, peixes-boi) e os pescadores do litoral amazônico. Graças a eles me descobri em cantinhos encantadores do litoral paraense e entrei de cabeça em projetos para a conservação dessas espécies (uma experiência e tanto).  Ainda no mar, ingressei na onda do surf, (re)conhecendo lugares e pessoas, entre o equilíbrio  e o movimento veio o estimulo em concretizar esse projeto.  Um pouco da mudança que gostaria para o mundo.

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(Inaê Brito de Albuquerque Nascimento – Oceanógrafa)

Minha mãe sem querer me deu um nome do mar. Daí, não deu outra, cresci com o mar em mim e virei oceanógrafa. Me formei pela UFPA no inicio de 2010 e desde então sou mestranda em Ecologia de Ecossistemas Costeiros e Estuarinos, pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental da UFPA em Bragança. Estudo o movimento das águas e como esse movimento desenha o litoral e nossas rotinas. Minha rotina agora se divide entre o mar e o circo. É que além de oceanógrafa sou aprendiz de acrobata aérea em um grupo de artes circenses em Belém. Às vezes preciso ser contorcionista para conciliar esses dois ofícios, às vezes é só preciso se deixar ir e vir feito maré. O Raízes do Surf é um projeto coletivo, construído a partir de sonhos de cada raízero. A minha contribuição nessa construção vem da minha vontade de compartilhar o meu amor pelo mar e tudo o que acho bonito.

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 (Pablo Remigi – Graduando em Oceanografia)

Pablo não fala muito de si, então decidi falar um pouco por ele. Pelo que sei, desde pequeno viaja pela Amazônia, já tomou por aí muito banho de rio e de igarapé. Pelo que demonstra gosta de se aventurar e de alguns desafios. Compartilhamos juntos de certas aflições, e sonhamos com mudanças reais no mundo. Pelo que percebo é um ser humano dotado de uma sensibilidade incrível. Atualmente ouvi dizer que cursa oceanografia na UFPA (Universidade Federal do Pará), outros contam que se apaixonou pelo surf e desde então se deixa levar por ondas de descobertas, muitos até arriscam um gosto pela fotografia. Do que os outros falam, e do que ele não quer dizer, a verdade é que cada vez mais ele me surpreende e me enche de orgulho, sinto o privilégio de sua companhia. O “Raízes” é mais um desafio que abraça e destina um pedaço de cada um dos seus talentos, rendendo muitos sorrisos  e experiências. (Por Bruna Maria Martins)

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 ( Kelle Cunha – Biológa)

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Uma onda que cresce: Como tudo começou?

O Raízes do Surf é um projeto socioculturalesportivoambiental, assim tudo junto mesmo, porque as crianças de Ajuruteua tem uma fome enorme de tudo isso.

Era uma vontade que crescia nos movia e nos indignava: tornar o conhecimento adquirido entre as famosas quatro paredes da universidade, precisamente do curso de oceanografia útil a quem realmente interessava. Mas só a oceanografia?! Percebemos e concordávamos que a arte, a cultura e a consciência ambiental deveriam ser prato básico na formação de um ser ético e sensível. O tempo foi passando, a vontade crescia, mas ainda não tinha forma. Das voltas que o mundo dá surgiu o surf em nossas vidas, e com ele ficou mais evidente a necessidade de se equilibrar em pé e encarar qualquer deslize. Nas andanças pelo nordeste paraense, um litoral escolhido para abrigar as pessoas mais encantadoras da Terra, conhecemos um garotinho da praia de Ajuruteua chamado Samuel que com apenas 9 anos mandava super bem no surf, herdando o talento do Pai. A partir do Samuel e sua família, começamos a conhecer uma molecada que divide seu cotidiano entre ajudar os pais no trabalho na praia, ir à escola (quando tem), e o surf. Com as visitas freqüentes ouvimos das próprias crianças e de seus pais essa fome enorme pelo acesso a arte, educação, saúde… e claro, um incentivo ao esporte que eles tanto gostam. Nossa vontade conjunta começava então a criar forma. Mas como levaríamos isso a eles? E foi assim, feito milagre, que alguém na rua me entregou um papel de divulgação da abertura do edital de patrocínio a projetos do Banco da Amazônia. As ideias então já escorriam entre as linhas e junto com a motivação formariam o texto que é esse projeto. Agora começamos a dar nossas primeiras remadas, pegamos uma boa onda, procurando sempre a construção que acreditamos de forma coletiva, difundindo práticas ecológicas, o respeito e a gentileza. Nosso sonho, o qual a comunidade e amigos começam a abraçar, é levar as crianças de Ajuruteua uma alternativa à marginalização, através do incentivo ao surf, como um esporte que desenvolve corpo e mente e promove um contato direto com a natureza, e o acesso às diversas artes, estimulando a criatividade e gosto pelo conhecimento. Sejam bem vindos todos que queiram ajudar a construir esse sonho tão querido!

(Inaê Nascimento e Bruna Martins – 27.06.2012)